TEMPLO DE JANUS
Autun - França
O deus Janus presidia a tudo que significava uma abertura ou um fechamento: as portas de uma casa ou da cidade, o trabalho diário, os combates e os anos. Seus símbolos eram uma chave e um cajado de viajante com os quais controlava e protegia a cidade.
Como era o deus de tudo que se inicia, os romanos o invocavam antes de qualquer outro e, ao se levantarem, rezavam a oração Janus Matutinus.
Acreditavam que era o protetor dos portões e portais por os ter inventado. A ele era atribuída a guarda de suas chaves. Até hoje consideramos a noite do dia 31 de dezembro para o dia 01 de janeiro, a passagem do ano, como se transpuséssemos a um portal.
Numa Pompilio dedicou a ele o primeiro mês do ano, dando origem ao nosso mês de Janeiro e no seu primeiro dia ocorria uma das comemorações mais alegres de Roma.
Representado como deus bifronte, Janus é aquele "que olha para frente e para trás, ao final do ano transcorrido e ao princípio do próximo“, sendo representado com dois rostos, um velho e barbudo e outro jovem. Daí, talvez, o simbolismo do velho e do jovem, representando respectivamente o ano passado e o ano novo, mantido nos dias atuais.
No dia primeiro de janeiro os romanos saiam a convidar os seus amigos para comerem ramos de louro ou de oliva procedentes do bosque sagrado de Strenia, a deusa da saúde. Era um augúrio de sorte e felicidade. Origina-se nos “strenae” romanos a tradição dos presentes de Natal, que com o tempo se adaptaram à forma prática e doce de dar jarros com mel e tâmaras ou figos, com a frase: "Para que passe o sabor amargo das coisas e que o ano que começa seja doce”.
O “strenae” romano persiste no verbo espanhol “estrenar” e é raiz da palavra portuguesa “estrear” (dar início). Também tem semântica parecida com “presentear”, que tem os múltiplos significados de: se dar uma dádiva ou um dom, estar fisicamente ou em lembrança em um dado lugar ou momento e ainda, o profundo e incomensurável significado de momento presente, este átimo de segundo que permanece eternamente entre o futuro e o que restou do passado.
Os deuses são esquecidos, os templos se desmancham em ruínas, as formas inservíveis se transformam ou são destruídas, mas as tradições permanecem.
Um Próspero e Doce Ano Novo! Seja sempre Feliz!
Um grande abraço
Um comentário:
Simplesmente fantástico.
Abraço. Ricardo Navarro
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