Temos um casal amigo, a Pérola e o Abrão que tem nos proporcionado fantásticas noites no Espaço Gourmet que organizam para seus amigos. Para eles vai a nossa homenagem.
Uma vez por mês um casal elabora uma refeição para cerca de 20 casais. Tem sido muito bom observar a união espiritual e os laços de amor e amizade fraternal que se formam nessas noites. Para mim esta é a demonstração sensível da existência de uma egrégora positiva nesses encontros. É a mística do Ágape que pode explicar a possibilidade de reunião de tantos valores positivos de forma permanente e intensa.
Aqueles que conhecem a tradição, recebida oralmente através das gerações, percebem que é possível se elevar da Matéria (representada pelo elemento Terra) passando pela Emoção e Razão (no elemento Água), aos Valores maiores da Alma (aqui representada pelo elemento Ar) até chegarmos ao plano espiritual (representado pelo elemento Fogo). Na culinária vamos encontrar todos os elementos alquímicos reunidos.
A paella traz, já nos seus componentes, a presença da Terra, representada pelo arroz, especiarias, temperos, legumes e a carne de coelho e porco; da Água representada nos frutos do mar e do Ar representada pela ave ali presente. O espírito que liga é o amor dedicado de todos que contribuem no fazer coletivamente este prato, uma vez que cozinhar paella é uma integração social.
Para a iniciação aquece-se o azeite, considerado na antiguidade a presença da deusa Atenas (deusa da Sabedoria), pois do seu óleo provinha a Luz que afastava as trevas. Assim, para afastar os maus espíritos iniciamos com o azeite onde se acrescenta o alho e a cebola. Na seqüência fritam-se as carnes mais rígidas para quebrar os seus orgulhos e purificar a matéria.
Os frutos do mar entram na seqüência e já quase no acabamento colocamos os pimentões para que permaneçam um pouco crus e dêem uma textura diferente. Ao final, acrescentamos as azeitonas e as ervas frescas, que garantirão, neste pequeno altar dos sacrifícios, a suave fragrância que proporcionará aos alimentos serem abençoados pelo ser divino a quem dedicamos o nosso trabalho.
A sobremesa foi feita utilizando-se também uma paella, onde se queimou o açúcar com cascas de limão e acrescentou-se suco de laranja. Após terem se dissolvidos as crostas formadas pelo açúcar, as bananas foram colocadas para cozinhar levemente e acrescentado o espírito do Rum e do Cointreau, garantindo-se a presença dos quatro elementos formadores dessa síntese através de uma rápida flambagem.
O jantar deve preferencialmente ser acompanhado de um vinho branco da uva Chardonnay que tenha estrutura suficiente para descansar em barricas, um rose espanhol de boa vinícola ou ainda um tinto leve. Tudo isso permeado pelo Amor, fluido do Ser Superior que derramou suas bençãos em toda a cerimônia.
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